Sociedade saudável

Dividir as responsabilidades da administração de uma empresa com um sócio pode ser um bom caminho, mas é preciso estipular regras claras

Gerir uma empresa se torna uma tarefa um pouco mais fácil quando dividimos a responsabilidade com um sócio. No entanto, fazer com que essa parceria profissional seja saudável é uma missão importante envolve seguir algumas regras. A principal delas é não ter dúvidas sobre a índole do sócio. É preciso ter certeza de que há honestidade em tudo o que é feito.

Uma vez que se tem confiança na pessoa escolhida para dividir uma sociedade empresarial, o passo seguinte é estabelecer regras que deixem claro as responsabilidades de cada um dentro da gestão do negócio. O ideal é que haja uma união de forças complementares. Enquanto um dos sócios tem um foco no lado comercial, o outro cuida de questões administrativas, por exemplo.

Mas mais importante que uma divisão de tarefas, é ter transparência e confiança, por isso é aconselhável que, quando se tratam de questões financeiras, todos os sócios tenham amplo acesso aos dados e conhecimento da situação da empresa.

De acordo com o sócio diretor da Crowe, rede global nas áreas de governança corporativa, auditoria e consultoria, Marcelo Lico, o ideal é ter uma governança mínima que conduza o processo de finanças. “Isso significa ter transparência e controle das informações, fluxo de caixa, uma contabilidade eficiente e um bom planejamento financeiro.”

Muitos gestores abrem mão de ter conhecimento sobre a saúde financeira da empresa, pois não entendem de contabilidade, números e fluxo de caixa. Porém, essa defasagem deve ser solucionada. Os cursos no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) ou livros que tratem da realidade do empreendedorismo no Brasil podem fornecer a bagagem necessária.

Além disso, mesmo que as responsabilidades e tarefas de cada sócio estejam bem definidas, é preciso manter um canal de comunicação aberto constantemente, principalmente quando há a necessidade de fazer algum ajuste. “Nunca deixar a sujeira ir para debaixo do tapete. Problemas em uma sociedade surgem a todo o momento. Por isso, é saudável esclarecer sempre os pontos divergentes”, aconselha Lico.

A condução do diálogo com os colaboradores também deve ser algo preestabelecido entre os sócios. Decisões internas de cada departamento podem ser comunicadas e resolvidas diretamente pelo sócio responsável pela área. Já naquelas que interferem em outros departamentos, ou até mesmo na empresa como um todo, é preciso que todos os sócios sejam envolvidos, antes que os colaboradores tomem ciência das novidades que serão implementadas. Esse diálogo é fundamental para que os funcionários enxerguem os sócios como uma entidade única.

Para exercerem boa liderança, os parceiros de negócios não podem apresentar divisão perante a equipe. Dessa forma, mesmo que discordem, diante do funcionário, têm de mostrar liderança única e resolver a divergência a portas fechadas.

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